quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz.
Não é tarefa das mais fáceis.
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor,
o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.

Dinheiro?
Não basta termos para pagar o aluguel,
a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica,
a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor?
Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar,
dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados,
queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo,
queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É O QUE DÁ VER TANTA TELEVISÃO!!!

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo,
buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz,
mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.

Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A GUERRA

Não tinha nem braços nem pernas.Atirou a cabeça para trás e começou a gritar o medo.Mas apenas começou porque não tinha boca com que gritar.Ficou tão surpreso de não gritar quanto tentoufazê-lo que começou a mexer as mandíbulas como um homem que descobriu algo interessante e quer experimentar.Estava tão seguro de que a idéia de não ter bocaera um sonho que se sentia capaz de investigara coisa calmamente.Tentou mexer as mandíbulas e não tinha mandíbulas.Tentou passar a língua do lado de dentro dos dentes e por sobre o céu da boca como se estivessebuscando uma semente de framboesa.Mas não tinha língua nem dentes.Mas não tinha céu da boca nem boca.Tentou engolir mas não podia porque não tinhapalato e não lhe restava músculos com que engolir.Começou a sufocar e a arquejar.Era como se alguém lhe tivesse empurrado um colchão sobre o rosto e o estivesse mantendo alí.Respirava agora forte e depressa mas não estava realmente respirando porque nenhum ar passava pelo nariz.Não tinha nariz.Podia sentir o peito subir e descer mas nenhuma respiração passava pelo lugar onde era o nariz.Experimentou o desejo furioso de morrer .Estava morto e queria se matar é a guerra.

MODÉSTIA? NÃO, NÃO TENHO!

Quem fez da modéstia
uma virtude esperava
que todos passassem
a falar de si próprios
como se fossem idiotas.
O que é a modéstia
senão uma humildade hipócrita,
através da qual um homem
pede perdão por ter
as qualidades e
os méritos que
os outros não têm?
Temos um
grande assunto
a tratar aqui:
a felicidade!...... ou, ao menos,
ser o menos infeliz que se
possa neste mundo.
Eu não poderia suportar
que me dissessem que quanto
mais se pensa, mais se é infeliz.
Isso vale em relação às pessoas que pensam mal.
Não estou falando das pessoas que
pensam mal dos outros,
o que pode ser divertido,
mas... tragicamente divertido!
Falo daqueles que pensam de maneira errada,
dos que rearranjam os seus preconceitos
e julgam estar... pensando!
Estes, sim, merecem compaixão,
porque têm uma doença da alma,
e toda doença é um estado triste.
Infeliz.
Amo as pessoas que pensam
de forma correta,
mesmo aquelas que pensam
de maneira diferente de mim.
Pensar
é um ato que
põe em dúvida
a estrutura de tudo!
A
história
não
passa
hoje
de
um
pretexto
para
se
continuar
enganando
a
humanidade.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NÃO ENTENDO...

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

OUÇA O TAMBOR

Você está sozinho, com sua mente cheia de ruídos.
Caminhando pelas ruas, a noite envolve seu corpo.
Você apenas vê apenas o suficiente para não tropeçar nas calçadas.
Por um instante, você escuta um som quase tão vago quanto seus dias.
Você presta mais atenção.
Percebe que é um som ritmado como o de um tambor.
Você olha para trás e não enxerga nada.
Pensa que está escutando as batidas de seu coração.
O som aumenta um pouco mais.
A cadência é a de seus passos.
Você caminha e o som aumenta mais.
Quando seu calcanhar toca o solo, o tambor bate junto.
O som vai ficando cada vez mais alto até fazer estremecer sua pele.
Sua mente elimina os pensamentos vãos e você caminha cada vez mais forte.
Quando o som atinge suas entranhas e ossos, você sente uma vontade irresistível de correr.
Mas você não corre.
Apenas pára e olha para o universo a seu redor.
Você mira as estrelas, ergue seus braços e grita seu nome até que todos os ruídos e dúvidas se dissipem e você volte a ser aquilo que sempre foi ou deveria ser.
A liberdade,
como
a felicidade,
é nociva
para um
e útil
para
outro.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A anarquista
que há em mim se junta com
o ingênuo que há em você
e propõe: "vamos fazer uma República Utópica?".
O princípio da realidade
passa com a sirene aberta,
pára e nos autua
em flagrante.
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo, com que não há
comunicação possível, nem há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma, senão da nossa.
As almas dos outros são olhares, são gestos,
são palavras, supondo-se qualquer semelhança no fundo.
Entendemo-nos porque nos ignoramos.
A vida que se vive é um desentendimento fluido,
uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver.