domingo, 2 de março de 2008

BEBA FERNANDO PESSOA

Há um tempo
em que
é preciso
abandonar
as roupas usadas
que já têm
a forma
de
nossos
corpos
e
esquecer
os nossos caminhos
que nos levam
sempre
aos
mesmos
lugares.
É
o
tempo
da
travessia.
E se
não ousarmos
fazê-la
teremos
ficado
para sempre
à margem
de
nós
mesmos.

VIVER

Meu ofício,
minha arte,
é viver.
Quem me censura
por falar de mim,
de minha vida
e de
meus
próprios
sentimentos,
que vá proibir
um arquiteto de se referir
às suas próprias construções.
Eu me mostro por inteiro,
como peça anatômica,
cujas veias,
músculos,
tendões,
são visíveis
em seus lugares.
Mas
as pulsações
e o que se passa
dentro de mim,
estes são eu mesmo.
É sobre
eles
que falo,
sobre minha essência.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

PONTO-E-VÍRGULA

Se páro um instante,
nesse instante
tenho tempo suficiente,
suficiente pra rever;

rever toda minha vida
que analiso

pra me conhecer.
Conhecer os fatos,

tons exatos;

exatos, errados e
bons
de se viver.
Viver com
alegria, dor e intensidade;
intensidade para
meramente

descobrir.

Descobrir
que
se páro
num instante
tenho
tempo

suficiente

pra rever
toda minha vida

que
analiso

pra me conhecer.

ANACOLUTO COTIDIANO

Não consigo ver o quadro geral.
Falta tempo.

Sufoco-me na loucura social.
Falta jeito.

Viver acima da média,
quando nem sei qual é o padrão.
Falta ousadia.

Não estar com os que
comigo nao estão.
Falta sabedoria.

Comer o pão de dores e
sorver a valia das palavras.
Falta irmandade.

Comunicar-se além do pseudo-virtual
pra deixar marcas.
Falta profundidade.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

UM INSTANTE

Aqui me tenho
Como não me
conheço
nem me
quis
sem começo
nem fim
aqui me
tenho
sem mim

nada lembro
nem sei
à luz presente
sou apenas um
bicho
transparente

ROSAS


Você pode me ver do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço pra te contrariar
De tantas mil maneiras que eu posso ser
Estou certa que uma delas vai te agradar
Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar


Porque eu gosto é de rosas e rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas


Se o teu santo por acaso não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho e nada a declarar
Meia culpa cada um que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão não vou nem soprar
Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar


Porque eu gosto é de rosas e rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas

GARGANTA


Minha garganta estranha quando não te vejo
Me vem um desejo doido de gritar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar
Venho madrugada perturbar teu sono
Como um cão sem dono me ponho a ladrar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar
Sei que não sou santa, as vezes vou na cara dura
As vezes ajo com candura pra te conquistar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar
Vim parar nessa cidade, por força da circunstância
Sou assim desde criança, me criei meio sem lar
Aprendi a me virar sozinha,
e se eu tô te dando linha é pra depois te abandonar
Aprendi a me virar sozinha
e se eu tô te dando linha é pra depois te abandonar

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

CONTeúDo de PriVaDa

Seu ministro disse
no noticiário da TV
que o país ia melhorar,
que a inflação ia diminuir,
que o arroz, feijão e carne
seriam capaz
do brasileiro comprar.
E agora que acidentalmente,
rasguei uma nota de R$5,00
fico a contemplar
que o almoço de hoje
não será possível de saborear.
No entanto, sem crise,
porque seu governador
vai botar asfalto,
tapar buracos,
distribuir cesta básica
(com direito a goiabada cascão!), e ainda
vai promover um showmício
de arrazar os tímpanos
do quateirão.
Não importa, pois seu presidente
disse que a CPI das ONGs,
apagões aéreos e outras sanguessugas,
serão resolvidos nun piscar de olhos,
como um pular de pulgas.
Não sei mais o que pedir
pro BOM veLhiNHO (o PaPai NoeL),
pois nesse ano não me comportei muito bem,
fui além, atrás, aquém, atroz,
misturei tudo, meio doce, meio fel (ô rima desgraçada, não?).

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

AME O PRÓXIMO


Nobre alma em exuberância de pessoa,
guarde todo o tempo do passado
como lembrança divertida, mágica (e até infantil).
Viva seu momento sem o pesar da culpa.
Curta!!! Ria, dance, se jogue!!!
Não engula as palavras.
Solte-as. Num tom afiado. Me divirto.
Pense antes de falar.
E não fale só a metade.
Fale por inteiro.
Não me induza ao erro.
Sofás. Almofadas. Sofás.
Quero uma vida feliz.
Desejo uma vida feliz.
E com $$$. Eis a solução (ou não?).
Três palminhas, ponto de ônibus.
Lápis preto. Telefonemas.
Irritação. Sono. Cadê o busão?
O que importa mesmo é
que em algum lugar
sempre haverá um par de ouvidos
para muitos firifunfuns!!!
E disso eu não abro mão.

Giz

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém
Aparecer ou quando quero
Quando quero
Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És, parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz
Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Tudo bem, tudo bem...
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Tudo bem, tudo bem...
Acho que estou gostando de alguém
Tudo bem, tudo bem...