Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo, com que não há
comunicação possível, nem há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma, senão da nossa.
As almas dos outros são olhares, são gestos,
são palavras, supondo-se qualquer semelhança no fundo.
Entendemo-nos porque nos ignoramos.
A vida que se vive é um desentendimento fluido,
uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
IMPOSSÍVEL DE MUDAR???
Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar.
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar.
Eu ainda não topei pessoalmente com a morte.
Talvez porque , em princípio, eu conte com ela.
É uma solução ao que somos ao acabar com
o corpo pelo qual somos.
Não há nada mais irrecuperável
que um cadáver e fomos nós.
A frase, o ser que vínhamos encontrando e perdendo,
desde a infância, dá com o ponto e se completa.
Formará sentido?
Talvez porque , em princípio, eu conte com ela.
É uma solução ao que somos ao acabar com
o corpo pelo qual somos.
Não há nada mais irrecuperável
que um cadáver e fomos nós.
A frase, o ser que vínhamos encontrando e perdendo,
desde a infância, dá com o ponto e se completa.
Formará sentido?
BUROCRATAS...
...te advertem que a aurora
foi abolida por tempo indeterminado.
Comunicam-te que o trigo e o vento
serão exportados para o arco-íris.
Aconselham-te a esquecer o corpo ensangüentado
dos acontecimentos.
Eles te ensinam que o orvalho
não cai sobre aqueles que semeiam dúvidas.
Mandam esvaziar tuas palavras de
toda a possível reminiscência.
Eles te fiscalizam do alto dos edifícios,
escanchados nalgum dragão lunar.
Eles te dão um ataúde azul
e te ordenam que é tempo de morrer.
foi abolida por tempo indeterminado.
Comunicam-te que o trigo e o vento
serão exportados para o arco-íris.
Aconselham-te a esquecer o corpo ensangüentado
dos acontecimentos.
Eles te ensinam que o orvalho
não cai sobre aqueles que semeiam dúvidas.
Mandam esvaziar tuas palavras de
toda a possível reminiscência.
Eles te fiscalizam do alto dos edifícios,
escanchados nalgum dragão lunar.
Eles te dão um ataúde azul
e te ordenam que é tempo de morrer.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
RECEITA PARA LAVAR ROUPA SUJA

Mergulhar a palavra suja em água sanitária depois de dois dias de molho,
quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza.
Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso,
o que recomenda aguar e bater insistentemente na pedra,
depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados,
mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida que são alvejadas soltam um líquido corrosivo,
que atende pelo nome de argura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-la sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário,
pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
já que desejo, sendo uma palavra intensa,
quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.
quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza.
Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso,
o que recomenda aguar e bater insistentemente na pedra,
depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados,
mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida que são alvejadas soltam um líquido corrosivo,
que atende pelo nome de argura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-la sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário,
pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
já que desejo, sendo uma palavra intensa,
quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.
Nós não podemos falar nada sobre nós e a nossa época,
sem começarmos por definir a loucura.
Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão,
enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?
Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir
como se estivessem loucas e
acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?
Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.
O que é que os deixou loucos?
As pessoas ficam assim quando
não chegam a criar uma relação funcional
e prática com a sociedade e com a realidade.
O que eles fazem?
Eles criam uma sociedade
que é uma realidade para eles.
Eles ficam loucos para não perder a sua razão.
A sua loucura é a explicação que
eles dão para a loucura que eles encontram no mundo.
sem começarmos por definir a loucura.
Como é que se explica que nós sejamos seres dotados de razão,
enquanto a nossa sociedade é tão ligada à loucura?
Como as pessoas que tem toda a sua razão podem agir
como se estivessem loucas e
acreditar nas idéias loucas que a sociedade lhe impõe?
Nós podemos encontrar uma resposta com aqueles que perderam a razão.
O que é que os deixou loucos?As pessoas ficam assim quando
não chegam a criar uma relação funcional
e prática com a sociedade e com a realidade.
O que eles fazem?
Eles criam uma sociedade
que é uma realidade para eles.
Eles ficam loucos para não perder a sua razão.
A sua loucura é a explicação que
eles dão para a loucura que eles encontram no mundo.
Em que pensa o homem-bomba
no exato momento de soltar o pino
e estancar o tempo?
Em que pensa o homem-bomba
na hora imensa em que o sangue
se adensa e todos os sóis, e todos os poros,
e todas as luas do universo projetam
forças vorazes de gravitação
na explosiva nave de seu coração?
Em que veia-cava o medo
crava seus tentáculos?
Em qual infinitésimo de segundo
a mão trêmula avança para o pino
e vence a inércia do ser vivo
que deseja permanecer semente,
não de idéias, mas de carne viva?
no exato momento de soltar o pino
e estancar o tempo?
Em que pensa o homem-bomba
na hora imensa em que o sangue
se adensa e todos os sóis, e todos os poros,
e todas as luas do universo projetam
forças vorazes de gravitação
na explosiva nave de seu coração?
Em que veia-cava o medo
crava seus tentáculos?
Em qual infinitésimo de segundo
a mão trêmula avança para o pino
e vence a inércia do ser vivo
que deseja permanecer semente,
não de idéias, mas de carne viva?
Assinar:
Postagens (Atom)
