sábado, 26 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

UMA ONDA EM MOVIMENTO

É uma onda de não-sei-bem-o-que-dizer 

que me faz ficar no meu canto...

Mas, por favor, não tentem domesticar 

quem nasceu para se movimentar!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DESISTIR

Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda;
não suportava ajuntamentos, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse.
E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa.
Tentou se matar e não conseguiu.
Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre teve ódio disso. Vivia afirmando: "as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo".
Acharam que estava louca:
- 'Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança - passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida'.
Sim, odiava ter que levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois que se passa a noite inteira dormindo cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito mais dificíl de abrir mão. 


Sempre foi solitária.
 
Pedia desculpas: 'creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se não fosse por uma que outra trepadinha legal, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem'.
 
É, eu sei que isso não é uma atitude simpática.
Mas fico toda refestelada aqui dentro do meu caracol!!
Afinal de contas, viver é desistir!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

LÁ NA RÁDIO..

Nas ondas do rádio,

Nas ondas da escrita.

Palavra cantada, interpretada e dita.

Falar em público

sem  vê-lo.

Encontramos a felicidade

e falamos em alto som:

- Nossa poesia não tem segredo!!

domingo, 30 de janeiro de 2011

PA-RA-LE-LE-PÍ-PE-DO

Perguntei-me se era necessário o palavrão.

No imperativo exclamei:

- Fale um palavrão aí!

Menina refinada e de timbre marcante

me disse assim:

PA-RA-LE-LE-PÍ-PE-DO!!

Fiquei em estado de choque...

choque de risos, 

choque de almas.

É chic ser assim...

meio rock, toda mpb,

toda voz, toda violão,

toda adulta, toda criança.



Eu vivo a me perguntar: 

- O palavrão se faz necessário??



E toda vez que alguém fala um palavrão

na minha mente vem a figura daquele bloco retangular 

cujas faces são paralelogramamente desenhados;

no instante seguinte essa imagem se dissipa para 

outra figura tomar minha caixa pensante,

a figura da menina em prosa, pose e alegria

dizendo com sorriso pueril:

PA-RA-LE-LE-PÍ-PE-DO!!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nunca me senti só. 

Gosto de estar comigo mesmo. 

Sou 

a melhor forma 

de entretenimento 

que posso encontrar.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

NUA

bebi um gole de solidão.

comi uma travessa de ânimo.

despi-me da roupa da maldade.

azeda vim,

doce permaneço.

apego me a razão

para no próximo segundo me esbaldar 

em gargalhadas fatais.

livre, leve e nua.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

NEM TUDO SE PODE VER, OUVIR OU DIZER





 Muitas vezes temos o privilégio de escutar os sons mais sutis. 
E outras tantas vezes não sabemos ouvir o silêncio.
Não dê ouvidos ao que não interessa. 
 Egos inflados estão em toda a parte e a luta contra eles não leva a nada. 
Evitar a luta de prestígio é um bem que fazemos a nós e aos outros.
Para viver, nem tudo nos podemos ver, escutar ou dizer. 
Isto é representado desde a antiguidade, pelo três macacos da sabedoria. 
Cada um cobre uma parte diferente do rosto com as mãos. 
O primeiro cobre os olhos, o segundo as orelhas e o terceiro a boca. 
A representação e originária da China. Foi introduzida no Japão, no século VIII, por um monge budista. 
A máxima que ela implica é “não ver, não ouvir e não dizer nada de mau”. 
Foi adotada por Ghandi, que levava sempre consigo os três macaquinhos, o cego, o surdo e o mudo – Mizaru, Kikazaro e Iwazaru.
Eles ensinam a não enxergar tudo o que vemos, a não escutar tudo o que ouvimos e não dizer tudo o que sabemos. 
Noutras palavras, ensinam a selecionar e a conter-se. 
Isso é decisivo para uma atitude construtiva, mas não é fácil. 
Somos impelidos a focalizar o que nos prejudica – impelidos por um gozo masoquista ao qual temos de nos opor continuamente. 
Só a consciência disso permite não sair do caminho em que a vida desabrocha.
Seleção e contenção tornam a existência mais fácil. 
Desde que não seja um efeito da repressão, como na educação tradicional, e sim do desejo do sujeito – um desejo vital de se opor às forças do inconsciente que podem nos fazer mal. 
Isso implica a humildade de aceitar que o inconsciente e nós não somos donos de nós mesmos.
A idéia não é nova. Data da descoberta da psicanálise por Freud, no fim do século XIX, mas continua a ser ignorada porque é difícil nos livrarmos do ego. Sobretudo numa sociedade como a nossa, que tanto valoriza, e que não condena a vaidade, a prepotência e a arrogância. 
Pelo contrário, estimula-as a se perpetuar.
NEM TUDO SE PODE VER, OUVIR OU DIZER.





[adaptado >> MILAN, Betty. Nem tudo se pode ver, ouvir ou dizer. Editora Abril. Revista Veja, edição 2199, ano 44, nº2, 12.01.2011, pág. 92. São Paulo - SP]

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CAJU

A tua voz de seda 
vem agora 
meus sonhos embalar.

Leva e traz 
lampejos de felicidade.

Envolva-me 
numa conchinha de risos.

Encanto 
em Si, 
em Mim, 
Dó, 
Fá, 
Ré, 
Sol, 
Lá.

sábado, 15 de janeiro de 2011

EUFORIA

FELICIDADE 

É 

POUCO.



EU 

QUERO 

É 

EUFORIA!



DIA 


NOITE,

NOITE

E

DIA!


FAÇA

SOL,

CHUVA,

TEMPESTADE

OU

CALMARIA!!


EU 

QUERO

SUA 

MÃO 

NA 

MINHA!